sábado, 8 de novembro de 2014

Sentir saudade.

O amor é o sorriso-sorriso de todas as coisas;
início e fim das caminhadas
Um fio de distância escorrido no rosto
secado por gosto
e pálpebra fechada

Mas que a lembrança - parceira do tempo -
trança nas bordas do lado de dentro
da minha alma acesa

Um barulho que ecoa na funda luz
É uma gota de tinta:
colore, conduz,
não deixa despesa

Lágrima contida
nascida
do sorrir dos olhos
A fumaça-lembrança
que de longe alcança
a fenda do teu colo

É o grito-saudade
expelido com vontade
bem dos antros da garganta
Agudo, ferino, cantante
E que canta!

Não fossem as formas disformas
Dos ângulos da mente...
Não há abraço existente
Como o que não recebo agora.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Quando tu nasceste, menina,
Deus te prendeu no teu corpo
Mas a mente enjaulada transpira a sina
Rasteja no ar
Como um sopro,
menina,
não se deixe levar.

Não és este casco feio
O que transcende a pele
não reflete no espelho.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O corpo é feito de voltas
O teu é reviravolta
O meu, revolta
Por favor, volta

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Hoje à noite a minh'alma viajou para outro canto, onde queria estar. Eu estou certo, Espírito Maior, que ela não está aqui comigo. O eu-etéreo voou pelo céu quente e cheio de nuvens e foi pousar onde o  meu eu-corpo, o meu eu-carne não pôde estar. Permaneço sem alma, então, neste retiro espiritual. A evolução vem de dentro, mas a energia que me dá força é totalmente externa; a minha alma foi buscar.

Proteção!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Copo.

A despedida,
nossos tão corpos são
tão cheios copos, não?
Ô, não esvazia o meu na ida, pois
não saberia eu que um dia
imporia ao teu sorriso brando
olhos-copos transbordando.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Carta.

Aracaju,

Ainda falta pouco mais de mês
— Um mês! 
Preu te deixar de vez
E não houve outro jeito
a não ser soterrar
esse buraco no meu peito:
Vou reaprender a chorar
(não seria justo regar com meu pranto
o solo de outro canto).

Os dias são trinta e nove
e o tempo agora não se move!
Olho arde, irritado:
Não é justo ficar piscando
quando o tempo tiver passado.