quarta-feira, 1 de julho de 2015

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Laboratório de anatomia.

tanta maxila, mandíbula, siso
e nenhum sorriso

uretra, próstata, utrículo
clitóris, os lábios, vestíbulo
como pode tanto pau, buceta e cu
empilhados um a um
e não ter gozo nenhum?

pilhas de bíceps, tríceps
dorso, ombro e antebraço
imóveis, os músculos
distantes, os abraços

átrio, ventrículo
valvas, trabéculas, nós
aorta desobstruída
e tão pouco amor na vida

nossos corpos
condenados 
ao odor tão fétido
do formol

e da formalidade.



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Acordar
escrever mais uma poesia
mostrá-la ao mundo inteiro
E voltar a dormir.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Poesia fosca.

está soterrado todo
todo o amor na cidade!
sob prédios de concreto
e um céu estrelado
ofuscado
por dez mil luminosas janelas
por um refletor
por sete TVs ligadas
pelo farol, ponto turístico
pelas chamas na periferia
pela sirene em seguida
e pelo vermelho respingado no asfalto
mil e um brincos de ouro
e nenhum brilho nos seus olhos

sábado, 18 de abril de 2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

vinte anos a menos pra ser amado
vinte vezes mais encolhido no canto
vinte coisas a menos pra ter me tornado
vinte anos, pouco tempo, e já perdi tanto.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Toque de recolher.

construímos monumentos sobre a paisagem
erguemos muralhas, criamos o lado de dentro
espessam-se os muros e põe-se blindagem
em todas as portas, um olho no centro

cerca elétrica, arame farpado
escurece e "corre, menino, já tá na hora"
a ironia do medo do enjaulado
é temer o lado de fora

acuados num canto
açoitados nas costas nuas
acuados, nos perguntamos tanto
quem nos tirou as ruas.