eu que nunca quis amar
e nunca tive amor
encontro-me em mesas de bar
ou revirando gavetas
acho-me a gastar canetas
cada gole do copo, da tinta
é a prova mais sucinta
que de tanto não amar ninguém
acabei sendo quem,
no fim,
rejeitava amor a mim.
terça-feira, 22 de março de 2016
sábado, 19 de março de 2016
Março.
tenho me sentido sozinho
em todos os lugares
das multidões
às confissões a dois
à total escuridão
da luz apagada
e do toque do travesseiro
na bochecha cansada
de sorrir de mentira
dos olhos exaustos
de quem só chora
trancado no quarto
em todos os lugares
das multidões
às confissões a dois
à total escuridão
da luz apagada
e do toque do travesseiro
na bochecha cansada
de sorrir de mentira
dos olhos exaustos
de quem só chora
trancado no quarto
segunda-feira, 7 de março de 2016
Vênus em Peixes.
hoje, no ônibus,
acho que me apaixonei bem depressa
só não sei se por você
ou pela vontade de saber
o que tanto cê olhava
pela janela.
acho que me apaixonei bem depressa
só não sei se por você
ou pela vontade de saber
o que tanto cê olhava
pela janela.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Faixa de pedestre.
minha tristeza está nas ruas
numa marcha lenta, fria
machucada nas mãos nuas
de dor, berra alto
o rosto arrastado no asfalto
aguardando acabar o dia
meu luto está no olhar indiferente
na pressa de toda essa gente
que pisa, cospe, ignora
mas que por dentro chora
de um vazio que lateja
peleja
e não vai embora
meu pranto, às vezes, é atropelado
por andar a pé
os carros vermelho-sangue
voltam pra perto do mangue
sem saber o quão triste é
ser deixado de lado
minha lágrima quando sobe o morro
abre a boca pra pedir socorro
mas de tão vivida
cala
bebe um copo d'água
para acalmar a mágoa
de nunca ser ouvida
depois ela senta no chão
enxuga o rosto com a mão
ajeita bem o papelão
e dorme tão tranquila
quanto os pés que a pisoteiam
numa marcha lenta, fria
machucada nas mãos nuas
de dor, berra alto
o rosto arrastado no asfalto
aguardando acabar o dia
meu luto está no olhar indiferente
na pressa de toda essa gente
que pisa, cospe, ignora
mas que por dentro chora
de um vazio que lateja
peleja
e não vai embora
meu pranto, às vezes, é atropelado
por andar a pé
os carros vermelho-sangue
voltam pra perto do mangue
sem saber o quão triste é
ser deixado de lado
minha lágrima quando sobe o morro
abre a boca pra pedir socorro
mas de tão vivida
cala
bebe um copo d'água
para acalmar a mágoa
de nunca ser ouvida
depois ela senta no chão
enxuga o rosto com a mão
ajeita bem o papelão
e dorme tão tranquila
quanto os pés que a pisoteiam
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Tubular Bells.
[...]
Virei a esquina e tudo parecia ainda mais escuro. Somente um poste luzia no meio da rua; sua luz, no entanto, oscilava.
Algumas calçadas mal iluminadas exibiam silhuetas que projetavam a imagem de algo que poderia ser desde escombros de uma construção acabada à uma pessoa abaixada, à espreita.
Respirei fundo.
Segurei mais forte as alças da mochila e caminhei a passos largos, mal levantando a cabeça para enxergar o que estava ou o que não estava no meu caminho.
Na casa de andar da rua, alguém esperava de pé na varanda. Sua cabeça parecia estar virada em minha direção.
Foi então que, sob o poste, encontrei aquilo que aterroriza os meus sonhos até agora.
[...]
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Mãe.
seus olhos sinceros
cheios d'água
a fala arrastada
um tom de mágoa
a vida toda passou chorada
derramada
lá dentro da carne, de verdade
uma centelha de liberdade
cava desvairada feito fera
e o mundo a espera.
cheios d'água
a fala arrastada
um tom de mágoa
a vida toda passou chorada
derramada
lá dentro da carne, de verdade
uma centelha de liberdade
cava desvairada feito fera
e o mundo a espera.
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