sexta-feira, 24 de abril de 2026

G.

 a gente sempre se vê em flashes

tudo numa velocidade calma 

num amor pronunciado a sussurros

vi o medo nos seus olhos:

estar aqui comigo talvez seja se perder 

dei vertigem em você,

te vi desejar a queda livre

e hesitar sobre o precipício 


mas já conheço demais os seus olhos

para reconhecer o seu desejo

sei que um dia cogitou, sem tentar,

largar tudo, voar por aí,

sem pesos nos pés e na cabeça


acho tão lindo te ver sonhando

afinal só nos apaixonamos graças à fantasia

à bobagem de ousar passar um pouquinho do ponto

em silêncio, agradeço 

você um dia ter sonhado comigo 


daqui espero poder te ver vestido das suas asas

quando eventualmente tudo isso passar

eu não vou voar com você porque talvez 

eu também seja peso para os seus pés;

amarras para os seus pensamentos; e tudo bem,

eu só queria mesmo te ver de novo

devanear por mais alguns velozes segundos

porque mesmo estando em segundo,

sei que no fundo te dei algo que era muito especial para mim

e vi o brilho no seu olhar


é estranho estar grata por este segundo plano

mas encontrei tanta coisa boa 

nesses espasmos de encontros;

tanta risadagem, companheirismo sutil,

da escala do não-dito, mas inegavelmente sentido


agradeço tanto ter visto de perto seu sorriso

mesmo que com pressa, precisando estar em outro lugar,

mas querendo estar aqui

isso vale mais que tudo.

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