domingo, 20 de setembro de 2026

 

você me deixou sem defesas

artifícios, distrações

agora tudo o que acontecer,

seja lá o que for,

me encontrará sem véus sobre o rosto

sem lenços sobre as lágrimas

sem conter os sorrisos


apavorada, pois lembro da última

em que estive sem armaduras,

desmilitarizada, à paisana,

e pra onde tudo aquilo me levou:

pro aqui, agora, onde proteger-me

tem mais importância que encantar-me


você nem sabe, mas 

está me convidando a crer

ter fé mesmo, deixar o tempo acariciar as coisas

e lembrar eu mesma de ser doce comigo

como eu tenho sido com você;

já que essa é a única maneira 

de te reencontrar bem,

só se eu realmente for aquilo

que você vê em mim.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

 
acho que consigo entender quando

há algo sendo tirado de mim

para o meu bem;

há coincidências que são, na verdade,

certeiras

afiadas o bastante

para o cortar o caminho

em direção à coisa magnética

que te puxa 

para o olho da armadilha


há, no entanto,

bonitas armadilhas

que enquanto não te matam

te enchem de ocitocina

o frio da barriga do perigo

antes de fechar as lanças

sobre o seu corpo em êxtase


toda vez que me apaixono

eu me sinto uma ratinha