quero escrever morte
e vida,
silêncio, sentença
chegada e despedida,
azar e sorte
amor, indiferença
pudor e safadeza
nudez e vestimenta
doçura, aspereza
a bondosa, a mesquinha
e tudo o que a gente separa
pela mais tênue das linhas.
sexta-feira, 20 de março de 2015
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Ditador.
Fiz das tripas cor,
ação
Pra que não chores sobre a lei
que tem te amarrado
A imprensa é inimiga da subversão,
você já ouviu o ditado?
Se o cavalo é fardado,
melhor proteger os dentes
Spray de pimenta em olho por olho
É quente, não é quente?
Em casa de empreiteiro,
a opressão é social
Devagar se vai ao longe, fio?
A bonança é um prato que se come...
...vazio
Não tire o seu cavalo da luta
Quem é bom já nasce puta
O que não mata, fortalece;
Quem é rico sempre enriquece, mané
E quem avisa amigo é
ação
Pra que não chores sobre a lei
que tem te amarrado
A imprensa é inimiga da subversão,
você já ouviu o ditado?
Se o cavalo é fardado,
melhor proteger os dentes
Spray de pimenta em olho por olho
É quente, não é quente?
Em casa de empreiteiro,
a opressão é social
Devagar se vai ao longe, fio?
A bonança é um prato que se come...
...vazio
Não tire o seu cavalo da luta
Quem é bom já nasce puta
O que não mata, fortalece;
Quem é rico sempre enriquece, mané
E quem avisa amigo é
domingo, 11 de janeiro de 2015
Banquete.
Não esqueça do meu rosto
exposto
do meu crânio disposto
numa bandeja de mal gosto
e a minha face de desgosto
Não me meta a contragosto
na ciranda do tudo-imposto
Parta de outro pressuposto:
Eu nunca gostei do sexo oposto.
exposto
do meu crânio disposto
numa bandeja de mal gosto
e a minha face de desgosto
Não me meta a contragosto
na ciranda do tudo-imposto
Parta de outro pressuposto:
Eu nunca gostei do sexo oposto.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
O Não-Romance: trecho 1
[...]
Novembro. Li a indiferença nos olhos dele. No entanto, não é a mente incansável em sua busca por felicidade? Na fuga da dor, regamos brotos de felicidade perpetuamente, tortuosamente; mudas inférteis de um destino que não existe senão por meio do delírio. Chego a me perguntar se é a vida que me priva a fortuna em demasia ou se fui eu a me apaixonar somente pelas improbabilidades no caminho.
Tenho um jardim de flores murchas. Cada muda parecia única, a princípio, mas o olhar já não as difere uma da outra: são todas pedaços amarronzados e fétidos do que o destino escolhera para mim. Como companheiro inseparável tive não o amor, mas o azar. O tropeço que gera o impulso a me colocar sobre os ladrilhos errados em todas as bifurcações.
Ciente da minha incapacidade, agora, recolho-me à minha própria alma. Quão monótona pode ser a vida quando não há fogo a ser alimentado?
Dezembro.
[...]
Novembro. Li a indiferença nos olhos dele. No entanto, não é a mente incansável em sua busca por felicidade? Na fuga da dor, regamos brotos de felicidade perpetuamente, tortuosamente; mudas inférteis de um destino que não existe senão por meio do delírio. Chego a me perguntar se é a vida que me priva a fortuna em demasia ou se fui eu a me apaixonar somente pelas improbabilidades no caminho.
Tenho um jardim de flores murchas. Cada muda parecia única, a princípio, mas o olhar já não as difere uma da outra: são todas pedaços amarronzados e fétidos do que o destino escolhera para mim. Como companheiro inseparável tive não o amor, mas o azar. O tropeço que gera o impulso a me colocar sobre os ladrilhos errados em todas as bifurcações.
Ciente da minha incapacidade, agora, recolho-me à minha própria alma. Quão monótona pode ser a vida quando não há fogo a ser alimentado?
Dezembro.
[...]
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Sem o alento dos olhos teus:
Não existiriam castelos,
muralhas,
ou jardins tão belos
Não se ergueriam torres,
não se sustentariam as casas
A brisa seria escassa,
morreríamos à inanição
As aves fechariam as asas
e morreriam entediadas
quando chegasse o verão;
As ceias seriam parcas,
os plebeus, esfomeados
E os pombos deixariam as cartas
todas em endereços errados
Os cavalos morreriam famintos
E, convenhamos, sem montaria
Meio não haveria
Para lhe dizer tudo o que sinto
À primeira hora do dia, então,
de uma quinta-feira de céu nublado
acordariam os cortesãos
dentro de um palácio incendiado
Correriam os escravos à beira do rio
E tal seria a surpresa, calafrio
Toda a água haveria evaporado
A corte, o rei, estaria tudo acabado!
Ninguém daria importância, no entanto
Em face de tal espanto,
mudariam-se os plebeus
Em meio às cinzas da cidade
Não haveria felicidade
Sem o alento dos olhos teus.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
A cidade desfere seu abraço distante
os olhos evaporam pelas janelas;
A vista do meu corpo discrepante
delineia todas as feridas abertas
Angústia, calor, frio na espinha
Pele úmida sobre o travesseiro;
Sem um rumo a alma definha
De sofrimento verdadeiro
Hoje não há estrelas no meio-céu
No meu céu
Não há estrelas no caminho.
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