segunda-feira, 15 de junho de 2015

Acordar
escrever mais uma poesia
mostrá-la ao mundo inteiro
E voltar a dormir.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Poesia fosca.

está soterrado todo
todo o amor na cidade!
sob prédios de concreto
e um céu estrelado
ofuscado
por dez mil luminosas janelas
por um refletor
por sete TVs ligadas
pelo farol, ponto turístico
pelas chamas na periferia
pela sirene em seguida
e pelo vermelho respingado no asfalto
mil e um brincos de ouro
e nenhum brilho nos seus olhos

sábado, 18 de abril de 2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

vinte anos a menos pra ser amado
vinte vezes mais encolhido no canto
vinte coisas a menos pra ter me tornado
vinte anos, pouco tempo, e já perdi tanto.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Toque de recolher.

construímos monumentos sobre a paisagem
erguemos muralhas, criamos o lado de dentro
espessam-se os muros e põe-se blindagem
em todas as portas, um olho no centro

cerca elétrica, arame farpado
escurece e "corre, menino, já tá na hora"
a ironia do medo do enjaulado
é temer o lado de fora

acuados num canto
açoitados nas costas nuas
acuados, nos perguntamos tanto
quem nos tirou as ruas.




terça-feira, 31 de março de 2015

Amperes.

te olho nos olhos,
desenrolo a língua
para encurtar o percurso
pelas curvas do teu corpo
os vales, montanhas, as pontes
o monte de montes
demoro-me nas cachoeiras 
do teu riso

de joelhos,
engulo tuas lágrimas cor-de-pérola

quarta-feira, 25 de março de 2015

Gravata.


o amor é como um tecido bem amarrado
na altura da jugular:
se não te mata asfixiado,
ao menos a roupa deve enfeitar.