segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cigarros.

Ambos portavam os seus cigarros acesos. Os olhos acesos.
Tragavam sem desviar o olhar um do outro, esperando que alguém se pronunciasse ou, ao menos, que os cigarros acabassem.
Estavam tão desgastados quanto os seus pulmões, tão dispersos quanto a fumaceira.
Os olhares eram fixos um no outro, mas a mente já divagava por outro lugar, por outros olhos.
De repente, parecia que haviam quilômetros separando uma poltrona da outra.
- Precisamos acabar com isso. - começou ele, despedaçando o que sobrara do cigarro no cinzeiro enferrujado.
E a paixão desenfreada de antes, que era como fogo aceso, ia sumindo, queimando, virando cinzas. Não passava de uma bituca.
- Tudo bem. - ela respondeu com uma impressionante calma - Mas os cigarros ficam comigo.

4 comentários:

  1. po,q tenso, a ultima frase mudou completamente o texto... parecia ser um drama e ganhou uma pitada de humor sarcastico de ultima hora.
    Sempre gosto da sua narrativa e linguagem.

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