domingo, 3 de abril de 2011

Órbita.

Alucinados, os garotos. Os olhos fora de órbita, as cabeças fora do lugar. E só assim o mundo realmente gira. E gira. Gira até ficarem tontos, até colocarem tudo pra fora. E se arrastarem sobre o vômito, o suor, o sangue, os fluidos.
E riam, e caiam e não se recompunham. Nunca se recompunham. Só se despedaçavam, se dispersavam na fumaça e se encontravam no mesmo lugar. E ali no chão, sem tontura, com o mundo parado, os olhos parados... Eles eram os mesmos. Sem máscaras. E parecia ironia, mas de pé e sem cambalear tudo era mais difícil. E, de repente, o mundo já não girava mais e estava tudo lá. Toda a sujeira.
- Tem mais disso aí?
- É claro. Mas vamos ter de reutilizar as seringas.
E o mundo se mantinha girando, girando. Movido à droga. Longe de toda a lucidez, que é loucura. A loucura da vida.

4 comentários:

  1. po, muito legal
    n achei palavras boas palavras para descrever. no começo achei nojento, depois mei que fui pega de surpresa com algo perfeitamente real e cru, sei la.

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  2. Muito interessante o blog !
    Deixo o meu aqui caso queira dar uma olhada, seguir...;

    www.bolgdoano.blogspot.com

    Muito Obrigada, desde já !

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  3. Ah que lindo, nossa QUANTA falta eu senti de uma boa linguagem assim!

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